InícioSaúdeCoração e rins: como um pode afetar o funcionamento do outro

Coração e rins: como um pode afetar o funcionamento do outro

Entenda como os órgãos trabalham em conjunto e podem ser comprometidos simultaneamente

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O coração e os rins são órgãos vitais indissociáveis que trabalham em conjunto, por isso, as doenças renais podem provocar o surgimento de doenças cardiovasculares e vice-versa, conforme relatório divulgado pela National Kidney Foundation, referência global em saúde renal. O estudo destaca que ambas as condições carregam fatores de risco semelhantes, como diabetes, hipertensão arterial e colesterol elevado.

O coração tem a função de bombear o sangue, rico em oxigênio, para todo o corpo. Essa ação mantém os órgãos e as células vivas. Já os rins são encarregados de limpar o sangue, removendo resíduos, assegurar a quantidade necessária de nutrientes e manter a pressão sanguínea estável. Por isso, quando um dos órgãos falha, o outro sofre as consequências, explica a British Heart Foundation (BHF). 

No momento em que o coração deixa de bombear o sangue de forma adequada, ocorre o aumento da pressão no sistema circulatório. Os rins ficam congestionados por esse excesso de sangue, o que compromete a função de filtragem. 

Já quando os rins estão debilitados, passam a liberar substâncias que também elevam a pressão arterial e aumentam o trabalho do coração, compara a National Kidney Foundation.

A estimativa é de que 850 milhões de pessoas ao redor do mundo, cerca de 10% da população, sofram com alguma forma de doença renal crônica, segundo dados da Sociedade Internacional de Nefrologia. No Brasil, mais de 20 milhões de pessoas vivem com a condição, mas a maioria sequer tem conhecimento do diagnóstico, de acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia.

O país também enfrenta um cenário crítico relacionado às doenças do coração. O Ministério da Saúde estima que 14 milhões de brasileiros vivem com alguma doença cardiovascular. Dados da Global Burden of Disease afirmam que doenças desse tipo representam cerca de 7% das causas de morte no Brasil, onde 38 milhões de pessoas têm hipertensão arterial, principal fator de risco para problemas cardiorrenais. 

Comprometimento simultâneo dos órgãos

A síndrome cardiorrenal dá nome à condição em que o coração e os rins estão comprometidos ao mesmo tempo, define a Chronic Kidney Disease. O distúrbio pode ocorrer em diferentes graus e direções. A insuficiência cardíaca pode causar disfunções nos rins, enquanto a doença renal crônica pode desencadear problemas no coração, complementa.

A instituição enfatiza que o comprometimento simultâneo dos órgãos pode se dar em razão de outras causas, como diabetes mal controlada e hipertensão, e alerta que a síndrome exige acompanhamento e tratamento médico contínuos. 

Pacientes que fazem acompanhamento cardiológico podem detectar a condição de forma precoce. Os exames que o cardiologista faz podem facilitar o diagnóstico da condição. Mais do que isso, o monitoramento regular de doenças cardiovasculares possibilita a prevenção do comprometimento dos rins.

Por outro lado, quem procura pelo médico urologista para auxiliar no tratamento de condições renais também pode receber o alerta sobre os riscos de desenvolvimento da síndrome cardiorrenal. 

A Chronic Kidney Disease considera a síndrome cardiorrenal uma doença crônica como “comum, grave e custosa” que exige prevenção a partir de “mudanças básicas na rotina para evitar consequências em outras dimensões da vida, como o trabalho e estudo”, explica. 

Diagnóstico e atividade previnem mais problemas 

A adoção de uma vida saudável se torna essencial para que o coração e os rins funcionem corretamente, de acordo com a National Kidney Foundation. O sedentarismo é um dos fatores de risco que amplia os danos clínicos da síndrome cardiorrenal e deve ser combatido.

A Sociedade Internacional de Nefrologia acrescenta que o controle da pressão arterial e da diabetes pode servir como prevenção aos problemas cardiorrenais. A manutenção de uma alimentação equilibrada, com pouco sal e rica em vegetais e fibras, e a prática regular de exercícios físicos, como natação e caminhada, também ajudam.

A National Kidney Foundation recomenda a realização periódica de exames, especialmente com cardiologistas e nefrologistas, e o abandono ao tabagismo. A fundação ainda sugere a redução dos níveis de estresse e a perda de peso, quando se está acima da taxa indicada, como ações de prevenção à síndrome.

Outro alerta é sobre a necessidade do consumo adequado de água diariamente. Também aponta que a automedicação é um risco à saúde e pode prejudicar a função renal.

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