Cidades como Rio de Janeiro e São Paulo incentivam o retrofit e acompanham processo de valorização imobiliária de áreas “esquecidas”
Grandes centros urbanos, como Rio de Janeiro e São Paulo, já identificaram os benefícios de investir em retrofit. Isso porque as mudanças auxiliam na modernização de espaços, afastando o aspecto de abandono.
O retrofit é um conceito da arquitetura e do design de interiores que propõe uma abordagem cuidadosa, em que a modernização convive com a preservação da memória arquitetônica. Ele envolve a restauração, o que requer mão de obra especializada, e é pensado especialmente para edifícios que possuem valor histórico, afetivo ou arquitetônico.
A proposta é preservar a essência da construção original e, ao mesmo tempo, atualizar o imóvel em termos de conforto, eficiência energética e segurança. “Mais do que uma simples reforma, o retrofit possibilita modificar, atualizar materiais, mas de forma a manter a história da edificação. O uso do imóvel que passa por esse processo nem sempre é o mesmo de antes da renovação. Um exemplo é uma antiga fábrica que passa pelo retrofit e passa a ser usada como residência”, explica o designer de interiores e designer gráfico, Aluísio Marinho.
Impactos do retrofit no mercado imobiliário
Entre os impactos do retrofit estão a transformação de imóveis antigos em objetos de interesse para consumidores e investidores, além das mudanças das paisagens de centros urbanos, o que também é um atrativo para morar e investir nessas localidades. Dessa forma, o conceito está atrelado à valorização imobiliária.
Um exemplo são as propriedades leiloadas. Conforme informações do JusBrasil, imóveis oferecidos na modalidade apresentam preços até 60% mais baratos. A oferta inclui construções antigas, localizadas em bairros tradicionais, que podem passar por processo de valorização a partir do retrofit.
Nesse caso, a orientação é pesquisar. Quem tem o interesse em participar do leilão de imóveis Banco Santander, por exemplo, deve ler o edital e analisar as ofertas disponíveis para considerar as oportunidades de valorização do imóvel e da região.
Em SP, retrofit pode elevar valor do metro quadrado em até 30%
Dados da Caixa Econômica Federal mostram que, na cidade de São Paulo, mais de sete mil edifícios apresentam potencial para retrofit, com projeção de crescimento de cerca de 15% ao ano na próxima década.
A projeção é que o setor movimente, aproximadamente, R$ 40 bilhões por ano até 2040, alcançando cerca de 80 mil unidades. Ainda segundo a Caixa, o retrofit pode elevar o valor do metro quadrado em até 30% e reduzir os custos operacionais na mesma proporção.
Diante desse cenário, o leilão de imóveis em São Paulo pode ser uma oportunidade para investidores que buscam adquirir propriedades em bairros tradicionais da capital. O Programa Requalifica Centro, por exemplo, estabelece incentivos fiscais para a requalificação de edifícios localizados na área central.
De acordo com a Prefeitura de São Paulo, os objetivos do programa são reduzir a ociosidade de imóveis, estimular a reabilitação do patrimônio arquitetônico, adequar as edificações existentes aos padrões atuais e aos procedimentos de análise de pedidos de licenciamento de intervenções de requalificação e estimular a sustentabilidade urbano-ambiental.
Região central do Rio concentra 79% dos retrofits
Na cidade do Rio de Janeiro, incentivos da Prefeitura do Rio para a reconversão de prédios comerciais em unidades de moradia têm concentrado, na região central, 79% da área total de retrofits da cidade, levando ao mercado novas unidades de prédios históricos reformulados.
As intervenções têm como objetivo combater o esvaziamento da região central. Ao todo, mais de 450 mil metros quadrados de imóveis antigos já passaram por esse tipo de intervenção na capital fluminense, de acordo com dados da consultoria Newmark.
Assim como em São Paulo, o leilão de imóveis no Rio de Janeiro destaca-se como uma rota estratégica para investidores que desejam revitalizar patrimônios em bairros históricos da Zona Sul ou do Centro.
Nos últimos quatro anos, com os incentivos do programa Reviver Centro, 53 empreendimentos receberam licença para passarem pelo retrofit, somando mais de 4,3 mil unidades, segundo dados da Prefeitura do Rio. Outros 17 pedidos estão em análise, o que pode elevar para 5,7 mil o número de unidades.
O movimento retrofit tem relevância, ainda, quando se fala em impacto ambiental, uma vez que a revitalização reutiliza a maioria dos componentes já existentes em uma construção, o que possibilita a economia de materiais e, portanto, o controle do consumo energético no decorrer da obra.
“É um processo de reciclagem de grande escala e que tem infinitas possibilidades de transformações”, explica a arquiteta Camille Bianchi.

